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X Men: Representatividade na luta das minorias

by Natalia Lopes

No mês do orgulho LGBTQIA+ e no qual o movimento #BLACKLIVESMATTER ganhou força, é muito importante falarmos sobre REPRESENTATIVIDADE no mundo geek, e nenhum exemplo poderia ser melhor do que as histórias dos X-Men.

A Origem dos X Men

Na década de 60, Stan Lee e Jack Kirby criaram os quadrinhos sobre os mutantes: Humanos que, possuíam um gene incomum: O Gene X, e por conta desse gene, acabavam desenvolvendo capacidades sobre-humanas como poderes psíquicos, raios laser, O poder de controlar os metais, altíssima velocidade, entre tantos outros que já conhecemos.

O objetivo da criação desses X-men (como foram nomeados) é bem simples: Uma crítica aos preconceitos que as minorias sofriam na época (e podemos ver que ainda sofrem nos dias atuais). Na época de sua criação, os EUA passavam por período de grandes revoluções sociais, como o movimento negro exigia o fim da segregação racial e os mesmos direitos que os homens brancos.

Imagem: Reprodução internet

Os mutantes e a representatividade

Mas não eram somente os negros que eram representados nos quadrinhos:
Magneto: Um importante personagem na história dos mutantes, e um dos mais famosos também, é um judeu que quando criança, viu sua família ser morta e foi levado para um campo de concentração em Auschwitz.
Mística: A personagem já se relacionou com vários personagens masculinos, mas seu verdadeiro amor sempre foi Sina, uma mutante que tem o poder de prever o futuro, mas foi morta em uma de suas missões com Mística, na qual Sina previu sua própria morte.
Fera: Personagem que nasceu com um intelecto invejável, além de mãos e pés bem maiores do que de um ser humano comum, o que o conferiu apelidos como “Maguilla Gorilla” durante a escola
Charles Xavier: Tão conhecido quanto Magneto (ou mais até), o famoso Professor Xavier é um mutante poderosíssimo com poderes psíquicos mas, em uma de suas batalhas, acabou de torando paralítico após ter as pernas esmagadas.

As faces da luta das minorias

X-men é tão completo em sua representação, que nos mostra inclusive as duas faces das lutas das minorias: Aquela que tenta dialogar, mostrar os preconceitos e encontrar formas pacíficas de solucionar o problema (tática usada por Xavier e seus X-men) e aquela que já cansou de dialogar e que agora se impõe de forma explosiva exigindo mudanças imediatas de forma mais agressiva (tática usada por Magneto e a Irmandade de Mutantes)

As “lutas mutantes” atuais

Esse é um quadro retirado da edição “O conflito de uma raçaX-Men: God Loves, Man Kills“, veiculado em 1982, mas podemos facilmente identificar (infelizmente) esse tipo de discurso sendo dito nos dias atuais

X-Men é tão atual em sua representatividade que podemos identificar várias situações de opressão nos quadrinhos que representam fielmente situações da nossa realidade atual. Quem assistiu ao filme X-Men: The Last Stand se lembra da famosa “cura mutante” que era oferecida à população afim de eliminar o gene X, transformando os mutantes em “humanos normais” como era dito. Podemos traçar um paralelo perfeito com a “Cura Gay”, uma crença descabida, fomentada pela ideia de que ser alguém do meio LGBTQIA+ é uma doença e que deve ser curado.

Diferente do filme, que mostra a cura mutante de fato funcionando, a homossexualidade não é algo que se cura como uma doença. Em 1952 a Associação Americana de Psiquiatria tentou provar que a homossexualidade era um distúrbio mental e não conseguiu comprovar essa afirmação cientificamente, o que já foi uma grande vitória para a luta LGBTQIA+. Em 1990 a OMS declarou que a homossexualidade estava sendo retirada da lista internacional de doenças.

Da esquerda para direita: Um quadro dos X-Men, mostrando vários mutantes mortos ou presos. Ao lado um cartaz com vítimas negras da violência policial dos EUA. Mais um exemplo de representatividade nas histórias

Hoje vivemos um período no qual negros lutam por igualdade e clamam pela importância de suas vidas após inúmeros atos horrendos de crueldade policial contra negros nos EUA. E mais uma vez nos deparamos com as minorias se unindo em prol de uma causa, assim como em X-Men, quando toda uma raça sofre uma ameaça tamanha que, independente da tática de diálogo, todos os mutantes se unem para sobreviver a mais um atentado contra a humanidade.

X-Men é de fato a Masterpiece da luta das minorias: Uma obra inclusiva, representativa e constantemente militante.

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