Home COSPLAYERS #MêsDoOrgulhoLGBTQIA+: Conheça esses 2 cosplayers LGBT e um pouco de suas histórias

#MêsDoOrgulhoLGBTQIA+: Conheça esses 2 cosplayers LGBT e um pouco de suas histórias

by Natalia Lopes

Estamos entrando no mês do Orgulho LGBTQIA+ e, para celebrar essa luta, a DESPERTE SEU GEEK INTERIOR está preparando uma série de postagens sobre histórias, personagens, games, muito conteúdo relacionado à comunidade LGBTQIA+, e para começar, convidamos alguns cosplayers para nos mostrarem como é ser uma pessoa LGBT, cosplayer, no meio geek.

Rach Asakawa (@rachasakawa)

(esquerda para direita, fotos por: @mayucosart @gigaxis e@eckhardt.photos)

A Rach é casada com a cosplayer Sailor Rizzy e nos conta que, no meio cosplayer, o fato de ela ser LGBT é muito bem aceito: “…A comunidade […] é bem tolerante quanto a isso, já que temos todos os tipos diferentes de pessoas lá dentro. Gente que tá ainda se descobrindo, gente que tá entendendo que existem outros tipos de pessoa e aprendendo a conviver. Tem de tudo. E eu acho que isso torna o ambiente maravilhoso, dá espaço para as pessoas, até uma segurança.”
O preconceito, na verdade, acaba vindo da comunidade que não está inserida ainda nesse contexto do mundo cosplay: “…São pessoas que até podem ir em eventos mas que não compreendem isso ser uma atividade, um hobby, e para alguns até um trabalho. A internet é um campo solto de muita maldade pois as pessoas se sentem muito corajosas atrás da anonimidade da tela.”

Rach e sua esposa Rizzy (foto por: @mayucosart)

Mas apesar dessa boa receptividade, sabemos que o processo de “se assumir” em um país onde se mata uma pessoa LGBT a cada 23 horas (dado: Grupo Gay da Bahia – GGB) ainda é muito delicado: “…Há uma diferença também em eu ser uma pessoa adulta, responsável pela minha vida, casada e ser assumida. Não é uma situação que posso comparar por exemplo com um jovem adolescente que vive ainda com sua família e não tem liberdade até mesmo pela família não o aceitar como é. O medo faz com que a pessoa se torne ainda mais vulnerável e qualquer situação pode virar uma agressão seríssima. Se alguém me chama de sapatona ou dyke se em inglês, eu viro e falo: ‘Sou mesmo! Com orgulho e muito feliz!’ Isso desarma o agressor. Mas eu tenho plena noção de quem nem todo mundo pode responder dessa forma ainda.”

Sabemos que as histórias em quadrinhos, séries, filmes, ainda estão longe de retratar os relacionamentos LGBT de forma natural, e que quando o tentam fazer, têm grandes chances de sofrerem algum tipo de censura (conheça um caso de censura LGBT na DC Comics aqui, e quem não lembra do infeliz caso da prefeitura do Rio que tentou proibir a Bienal de comercializar um quadrinho que tinha uma cena de um beijo gay, não é mesmo?! )
“…É uma luta constante contra essa regra invisível existente. Não é uma mudança que vai acontecer da noite para o dia. Infelizmente ainda vai ser as custas de muitos contratos cancelados, muito barulho na mídia. E é também por isso que é importantíssimo apoiar trabalhos feitos por mulheres, por pessoas trans, por pessoas negras, por pessoas que não são o padrão conservador estabelecido para o ambiente de trabalho e sociedade como tal. É importante ter mulheres escrevendo e desenhando sobre mulheres, ter pessoas lgbt produzindo conteúdo sobre lgbts, assim como pessoas de cor também, pois é autêntico. Só elas sabem o que elas passam, o que elas sentem.”
“…Eu sei que ainda está acontecendo em passos de formiga mas temos alguns picos de esperança. Temos agora o final da série da She-Ra feita pela Dreamworks, de criação da Noelle Stevenson, que é maravilhosa nesse quesito. Tem pessoas de tipos de corpos diferentes, etnias diferentes e orientações sexuais diferentes. E como no mundo da She-Ra isso é normal, os personagens agem normalmente, ninguém tem nojinho do outro ou acha isso um crime contra os bons costumes. É natural. Acontece.”

A Rach interpreta personagens que ama, independente de sexualidade, gênero, etc: “…Cosplay para mim é uma forma de demonstrar o quanto eu gosto daquela coisa, o quanto eu sou ‘fangirl’ daquilo. Não tenho uma regra de ‘essa pessoa é gay, então pode. Essa não é gay, então não pode’. Até porque, como eu comentei em outra resposta, eu não me identicava gay durante grande parte da minha vida, então vou jogar metade dos meus cosplays fora? Não faz sentido. O importante é a pessoa vestir e se sentir bem, e ter respeito e ser tratada com respeito.”

MENSAGEM PARA A COMUNIDADE GEEK: “Seja o que você lê, assiste e joga. Pratique. É inconcebível pensar que leitores assíduos das histórias do professor Xavier desde a década de 60 ainda não sabem o real significado da palavra tolerância. As mídias existem não apenas como um meio de entretenimento, mas como uma ferramenta de mudança e melhoria social. Sempre existe um Final Fantasy que mostra a luta de aceitação de algum personagem. Mass Effect mostra como é possível pessoas diferentes, raças alienígenas diferentes, podem se unir e se respeitar para um bem maior. Gene Roddenberry desenhou Star Trek pensando no melhor que a humanidade poderia ser. Posso passar um dia inteiro falando sobre tantas franquias consagradas que pregam amor, igualdade, respeito, tolerância, esperança e que muita gente simplesmente esquece dessas mensagens tão importantes.”

Marco Pacheco (@marcopachec0)

(esquerda para direita, fotos por: @emersonalionis, @emersonalionis e @math.mach)

Se você acompanhou nossa matéria sobre cosplayers que também são cosmakers, já conhece o Marco!

O Marco já fez alguns cosplays genderbend (ato de trocar o gênero original do personagem e criar uma nova versão) e nos contou que, nessas situações, ele infelizmente já sofreu preconceitos e até assédio! “…por usar um cosplay genderbender, eu era o único harley no evento e algumas pessoas estranhavam eu fazer uma versão masculina de uma personagem feminina, não se aproximavam por medo, receio ou qualquer outro motivo, mas era nítido o preconceito. Já sofri assédio nos eventos também, apenas por estar de suit as mãos bobas sempre desciam para onde não se deve ou homens me chamar de “gostosa” só porque estava usando o cosplay da vampira na minha versão genderbender.”

O Marco nos mostrou que, os personagens LGBT sempre estiveram no contexto geek, mas de forma mais discreta: “…eles sempre estavam ali, escondidos nas entrelinhas, só não tinham esse diálogo porque a sociedade foi e ainda é preconceituosa…” e comentou que devem ser trabalhados de forma natural, e não inseridos de forma forçada para “atender um nicho”. Ele também destaca o papel importante que o remake de She-Ra tem nesse contexto: “…existem personagens LGBT de uma forma tão leve e sutil, que as crianças que assistem aquele conteúdo, não mais o verão como algo estranho ou que “não é certo”. Acaba sendo algo educativo e instrutivo…”

O Marco busca sempre interpretar personagens com os quais se identifica: “…seja em uma atuação extravagante e exagerada (Charada – Jim Carrey) ou em uma personalidade forte, sexy e marcante (Vampira – Xmen). Desta forma é mais fácil a transformação no personagem, me sinto em uma zona confortável, e independente do gênero, estarei mais seguro para dar vida a ele.” Mais uma vez nos mostrando que seu gênero, sexualidade, cor, tipo físico, pouco importa na hora de escolher um personagem para interpretar!

Marco vestindo seu cosplay genderbend de Vampira dos X-Men (foto por: @fotografialuanalleras)

RECADO PARA A COMUNIDADE GEEK: “…Seja sempre você e não mude a sua essência, e nunca, jamais se importe com críticas negativas, pois elas nunca saberão das suas lutas internas e diárias. O importante é ser feliz, se divertir e trabalhar para que toda a comunidade seja um ambiente melhor para todos nós.”

Conheça mais do trabalho desses cosplayers maravilhosos (@rachasakawa e @marcopachec0).

Digam NÃO à intolerância! Digam SIM ao amor em todas as suas formas. #MÊSDOORGULHOLGBTQIA+

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