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Resenha “Por Lugares Incríveis”: livro vs. filme

by Luisa Ortiz

Alerta de spoiler! Não preciso nem falar, né? Tá cheio deles aqui.

“Por Lugares Incríveis” estreou na Netflix no último dia 28 e já é um dos romances americanos mais vistos da última semana na stream, mas o que a maioria das pessoas não sabe é que o longa foi baseado no livro best-seller de mesmo nome da autora estadunidense Jennifer Niven.

Esse livro já estava na minha listinha de leitura há um bom tempo e aproveitei para ler antes de assistir à adaptação, já pensando em fazer uma postagem de comparação entre a história do livro com a do filme.

O filme/livro acompanha a vida de Violet Markey e Theodore Finch. Ela, uma adolescente que recentemente perdeu a irmã mais velha num acidente de carro. Violet se culpa pela morte de Eleanor e, apesar de ser uma das garotas mais populares e queridas da escola, passa a se isolar e evita se envolver com pessoas. Já Theodore é famoso por ser o garoto-problema, sempre sendo enviado para detenção e passando por uma fase probatória para não ser expulso do colégio. Ele sofre com crises, as quais são intituladas no livro como “apagões” onde ele perde o controle da própria vida e passa a fazer coisas impulsivas.

Os dois se conhecem na escola, e é aí que as diferenças livro-filme começam.

COMO OS PROTAGONISTAS SE CONHECEM

No longa, Finch encontra Violet parada no parapeito da ponte onde o acidente ocorreu, enquanto fazia uma corrida. Já no livro, tal cena ocorre na torre do sino da escola: Finch estava no parapeito se equilibrando e olhando para baixo – algo que gostava muito de fazer – quando percebe que Violet também está lá. Depois de sair do estado de choque, Violet congela e não consegue descer sozinha, recebendo a ajuda dele. Inclusive, a capa da obra literária é inspirada no momento, onde vemos dois personagens no que parece ser o topo de um edifício:

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No livro, ela o faz prometer não contar o episódio para ninguém e, erroneamente, começa a circular o boato na escola de que na verdade Violet salvou o Theodore “Aberração” de cometer suicídio, quando foi bem o contrário.

A APARÊNCIA DOS PERSONAGENS

Para quem leu o livro, também encontrou um pouco de diferença nas características dos personagens! Brenda, uma das melhores amigas de Finch, protagonizada nas telas por Sofia Hasmik, é descrita no livro como cheia de piercings e cabelos coloridos, enquanto no longa sua aparência não é tão chamativa.

Da mesma forma, temos o personagem de Roamer, que serve como ex-interesse romântico de Violet/inimigo de Finch, mas, na verdade, no livro existem dois diferentes personagens para tanto: Ryan Cross, que é o ex-namorado superpopular de Violet, e Gabe Romero, que implica e briga com Finch desde sempre.

Porém, talvez a maior diferença seja a do nosso protagonista. No livro, Finch é descrito por Violet através de um poema de Virginia Woolf, quando cita “pálido, cabelos escuros, o que se aproxima é melancólico […]”. Em outros momentos, também é dito que Finch é muito alto, forte e possuí olhos profundamente azuis. Ou seja, o típico bad-boy americano, estilo Um Amor para Recordar (risos).

Antes da revelação do casting do filme, os fãs do best-seller torciam nas redes sociais para que o papel fosse dado a Nicholas Hoult (o Fera em X-Men) ou Logan Lerman (Percy Jackson, Hunters). No final das contas, o escolhido para o papel foi Justice Smith (Jurassic World), que apesar das críticas iniciais e diferenças arrasou na atuação!

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A AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSENCIAIS NO FILME

No filme, Finch apenas menciona um relacionamento conturbado com o pai, que deixou a família. No entanto, no livro, o pai de Finch ainda é uma constante em sua vida, pois o jovem é obrigado a ir aos Jantares em Família toda semana. A relação entre ambos é mais intensa do que a retratada no filme, sendo a ausência paterna e violência um dos grandes motivos para as angústias de Theo, pois, na cabeça dele, o pai trocou a família por uma “nova”.

A única família de Finch que nos é mostrada no longa é sua irmã Kate. Porém, no livro, a mãe de Finch é uma personagem muito presente, assim como a sua irmã mais nova, Decca, que no filme é inexistente. Vai entender.

No livro, é discutido muito sobre faculdade e universidades, futuro e etc. Finch, apesar de ter seus problemas, é muito inteligente e acaba conseguindo uma vaga para ingressar na NYU, mesma faculdade onde Violet queria estudar.

O longa, talvez por possuir tempo limitado, falha em retratar a complexidade da mente de Finch e os motivos por ele não buscar ajuda profissional. Enquanto no filme Finch apenas some, no livro, quando Violet percebe que algo está errado, ela corre para contar aos seus pais, que entram imediatamente em contato com um psiquiatra, bem como tentam contatar os pais de Finch.

No livro, também nos é mostrado que o orientador, Sr. Embry, tenta por diversas vezes contatar a mãe de Finch, porém, o jovem, ao se deparar com as mensagens do professor na secretária eletrônica, apaga todas antes que algum familiar tenha a chance de ouvi-las.

O FINAL DO FILME/O FINAL DO LIVRO

No final do filme, Violet vai para um local marcado por Finch no mapa do projeto escolar, que descobre ser uma capela em homenagem à pessoas que perderam a vida em acidentes de carro. Ela se emociona ao ver que ele assinou o livro de presença do lugar.

No livro não é bem assim. Violet descobre que, antes de morrer, Finch visitou todos os grandes lugares de Indiana que eles não visitaram juntos. Diante disso, ela passa a concluir as viagens sozinhas e percebe que, em cada local, Finch deixou uma marca. Por final, ela se direciona à capela, onde Finch não apenas assinou o livro de presença, mas lhe deixou uma carta para ela:

Você me faz feliz,
Sempre que está perto, estou seguro em seu sorriso.
Você me faz belo, sempre que sinto que meu nariz é grande demais.
Você me faz especial, e Deus sabe o quanto esperei para ser o tipo de cara que se quer por perto.
Você me faz te amar, e essa deve ser a maior coisa que meu coração já foi digno de fazer…
Você me faz adorável, e é tão adorável ser adorado por aquela que adoro…

Triste, né? Na minha opinião, a ausência da carta no filme foi muito prejudicial, pois foi a forma de Finch dizer à Violet que a amava e que nada era culpa dela (que é o que ela pensava).

Apesar dos pesares, não deixa de ser um bom (e dramático) filme, que serve sobretudo para conscientizar as pessoas e os jovens do estigma que envolve as doenças psicológicas.

E vocês, já assistiram/leram? O que acharam?

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